Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Metamorfose

Às vezes, a vida nos transforma sem pedir licença.

Não em insetos, mas em silêncios.

Em estranhezas que até quem amamos deixa de reconhecer.

Há mudanças que não se veem no espelho,

mas pesam nos ombros, nos gestos, na respiração.

Carregamos fardos invisíveis,

e percebemos que nem todos têm olhos para o que nos tornamos.

Kafka sussurra em sua história que a metamorfose não é apenas física:

é solidão que se alonga nos corredores da casa,

é rejeição nos olhares que desviam,

é a luta por permanecer humano

quando o mundo insiste em nos reduzir a algo menor.

E, no entanto, a dor da transformação traz consigo uma fresta.

Como a pele que se rompe para deixar nascer outra,

como a crisálida que precisa escurecer antes de abrir asas.

Toda metamorfose, ainda que dolorosa,

traz consigo um chamado:

o de reconhecer que somos mais vastos do que qualquer forma que nos aprisiona.

O de descobrir que até no silêncio mais pesado

há um movimento secreto de renascimento.

Inspirado pela inquietante beleza de “A Metamorfose”, de Franz Kafka.

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