Entre Sentir e Curar

Quando não há porto

Há fases em que tudo parece feito de mar aberto.

A solidão pesa no corpo como um vento frio,

a instabilidade balança o chão,

e não há porto seguro para ancorar.

É como se cada dia fosse uma travessia silenciosa,

com o horizonte escondido por névoas,

e o coração tentando adivinhar

se há terra em algum lugar.

Nessas horas,

a gente se apega ao que ainda cabe nas mãos:

uma lembrança boa que aquece por dentro,

um gesto pequeno de cuidado,

ou uma rotina simples que sobrevive ao caos.

Não é um porto

mas é o que impede de naufragar.

E, mesmo sem mapa,

a gente segue remando,

porque há uma parte em nós

que insiste em acreditar

que as águas um dia se acalmam

e que, depois da longa deriva,

sempre existe uma margem para chegar.

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