Silêncios que Acolhem

Quando o vento leva o que não volta

Há ausências

que não se medem pelo tempo,

mas pelo silêncio que deixam.

Não importa quantos dias passem —

certos vazios continuam a nos acompanhar

como sombra em dia de sol.

Algumas partidas

não fecham portas.

Apenas deixam janelas abertas

para um vento que nunca para de entrar.

É um vento que atravessa os cômodos,

bagunça as cortinas,

e às vezes apaga as velas

que tentamos acender.

Com o tempo,

descobrimos que não se trata

de impedir o vento,

mas de encontrar um canto

onde ele não leve o que é essencial.

Talvez o segredo

não seja esperar que passe,

mas aprender a viver

com a fresta aberta

e o vento dançando por dentro.

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