Entre Sentir e Curar

Quando a vida leva demais

Às vezes, a vida arranca tudo —

não só o que é precioso,

mas até o que parecia simples demais para ser perdido.

E o chão some.

E o silêncio pesa.

Fica-se diante de um vazio que não pergunta,

apenas engole.

Mas, de forma estranha e quase imperceptível,

é nesse mesmo espaço que algo começa a nascer —

não como quem volta a ser o que era,

mas como quem aprende a existir sem garantias.

O que se perde não retorna igual.

E talvez o que venha, um dia,

não substitua…

apenas se acomode ao lado do que ficou faltando.

E, mesmo assim, a vida insiste.

Insiste em soprar um ar novo,

ainda que a ferida continue aberta.

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