Há dias em que tudo parece mais pesado do que realmente é.
Um olhar que se desvia vira certeza de rejeição.
Um atraso de minutos se transforma em abandono.
Um silêncio qualquer ganha o peso de uma sentença.
Mas, muitas vezes, não é o mundo que mudou
é o coração que inventou tempestades.
Ele se lembra de dores antigas,
acende alarmes que já não são necessários
e pinta o presente com as cores do passado.
O que sentimos pode ser profundo,
mas nem sempre é preciso.
Nem todo arrepio é presságio.
Nem toda inquietude é sinal.
Às vezes, é só o eco de histórias que já terminaram,
mas que insistem em nos visitar.
Talvez o cuidado esteja em desacelerar
antes de acreditar no primeiro pensamento,
em ouvir o corpo sem dar a ele o poder de ditar o rumo,
em separar o que é o vento do agora
do que é o trovão que só existe na memória.
Porque, tantas vezes,
a tempestade não está no céu sobre nós
mas no céu que carregamos por dentro.
