Há dias em que o coração dispara
como se algo estivesse prestes a ruir.
Dias em que cada palavra parece um sinal,
cada silêncio, um recado oculto.
Mas nem sempre o que sentimos
é um reflexo fiel do que acontece.
Às vezes, é só a memória acendendo alertas antigos,
lembranças vestindo o presente com cores que não lhe pertencem.
O medo pode fazer a luz parecer ameaça,
e a ansiedade, transformar pausas em abandonos.
O que o peito interpreta,
nem sempre é a história inteira.
O mundo lá fora pode estar calmo,
mesmo que, por dentro, o mar esteja revolto.
Talvez o desafio seja aprender
a não tomar cada sensação como sentença,
a respirar antes de acreditar em cada pensamento,
a olhar com cuidado para diferenciar
o que é real do que é apenas eco.
Porque, muitas vezes,
a tempestade está só no céu que carregamos por dentro
e não no horizonte à nossa frente.
