Dentro de nós existe um lugar onde o tempo não se mede em horas,
mas em intensidades.
Ali, os sonhos e os pesadelos caminham lado a lado,
como dois viajantes que compartilham a mesma estrada
sem nunca se confundir.
Os sonhos chegam como brisa mansa,
trazendo o cheiro de lugares que ainda não conhecemos,
o toque de mãos que ainda não seguramos,
a promessa de um amanhã que, mesmo distante,
já começa a pulsar dentro de nós.
Eles acendem faróis no meio da noite
e nos lembram que há portos seguros
mesmo quando o mar parece infinito.
Já os pesadelos…
Ah, eles não pedem licença.
Invadem as frestas mais frágeis,
trazem ecos de medos antigos,
vestem-se com as formas das nossas inseguranças
e pintam o horizonte com cores que não queremos ver.
Eles nos fazem acordar com o coração acelerado,
e por um instante, acreditamos
que o perigo é mais real que a esperança.
Mas talvez sejam ambos necessários.
Porque é na presença dos sonhos
que descobrimos para onde queremos ir,
e na sombra dos pesadelos
que aprendemos a não soltar a própria mão no escuro.
No fim, somos feitos dessa mistura:
metade luz que avança,
metade sombra que ensina.
E é entre essas duas metades
que a alma encontra o seu próprio caminho.
