Há encontros que aquecem.
Palavras que aproximam.
Sorrisos que se estendem como pontes.
Mas, para alguns, cada gesto partilhado vem junto de um custo invisível.
Existe um termômetro social que ninguém vê
um ponteiro silencioso que se move a cada conversa,
a cada história ouvida com atenção,
a cada risada dividida no mesmo ar.
No início, a temperatura é amena.
Mas, pouco a pouco, o calor das interações começa a exigir mais
do que o corpo e a alma conseguem oferecer.
E não é falta de afeto.
Não é indiferença.
É apenas a necessidade de voltar ao próprio abrigo,
onde o silêncio se deita ao lado da respiração
e o coração recupera o ritmo sem pressa.
Alguns recarregam-se no barulho das vozes.
Outros, no intervalo entre elas.
E, para estes, socializar é como nadar em mar aberto:
por mais bonito que seja o horizonte,
é preciso voltar à margem antes que as forças se percam.
O recolhimento não é fuga.
É cuidado.
É o espaço onde a vida se reorganiza por dentro,
para que, quando o próximo encontro chegar,
o afeto possa ser dado inteiro
e não em pedaços cansados.
