Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2, Relacionamentos e Vínculos

Entre gestos e silêncios

Há amores que não se anunciam com grandes palavras.

Eles chegam disfarçados de rotina, escondidos em gestos tão simples que quase passam despercebidos.

Pais, muitas vezes, amam assim.

É no modo de esperar na porta, mesmo sem dizer que estava esperando.

É no jeito de ajeitar um cobertor enquanto todos dormem.

É no silêncio que escuta mais do que qualquer pergunta.

Nem todos aprenderam a dizer “eu te amo” com a boca cheia de palavras.

Mas muitos aprenderam a dizê-lo com o corpo cansado que ainda encontra forças para ajudar.

Com a presença constante que não precisa ser anunciada.

Com o tempo oferecido sem pedir nada em troca.

E há filhos que só entendem isso quando o tempo começa a ensinar — que amor não é sempre feito de declarações, mas de constâncias.

Que cuidado não é sempre vestido de afeto explícito, mas de um “se cuida” disfarçado, de um “leva o casaco” antes de sair.

Hoje é dia de lembrar desses detalhes.

De agradecer pelas formas silenciosas de amor que nos sustentaram sem que percebêssemos.

De reconhecer que existem amores que, mesmo ditos poucas vezes, foram sentidos todos os dias.

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