Entre Sentir e Curar

Quando o coração aprende a ir embora antes de se perder

Não é fuga.

Não é desistência.

É só um cuidado que chega tarde o bastante para doer, mas cedo o suficiente para impedir que doa para sempre.

Há um instante quase invisível em que o coração entende que já deu tudo o que podia.

Não porque tenha deixado de sentir,

mas porque percebe que, se ficar, vai se perder de si mesmo.

E então, aos poucos, ele começa a se recolher.

Não faz alarde, não fecha a porta de repente.

Apenas aprende a guardar o que ainda pulsa,

a proteger o que resta de inteiro,

a escolher não se gastar onde já não existe reciprocidade.

Ir embora, nesse momento, é também ficar.

Ficar consigo.

Ficar inteiro.

Ficar em paz.

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