Há uma voz que não grita, mas fere.
Ela aparece nas pequenas comparações,
nas vezes em que você olha para si
e vê apenas o que falta.
É a voz que lembra de cada erro,
que repete histórias antigas como se fossem verdades eternas.
Que exige perfeição antes de permitir descanso.
Que transforma qualquer conquista
em algo “que poderia ter sido melhor”.
Essa autocrítica severa não nasce do nada.
Ela é filha de expectativas impostas,
de olhares que julgaram cedo demais,
de padrões inalcançáveis que um dia você acreditou precisar seguir.
E mesmo que tenha servido para mantê-lo em movimento,
ela também roubou a leveza do caminho.
Talvez o passo de cura não seja silenciá-la de vez,
mas aprender a responder com gentileza.
Olhar para dentro e lembrar
que você já fez o suficiente para hoje.
E que, mesmo sem se dar conta,
está indo muito mais longe
do que essa voz consegue enxergar.
