Recomeços e Transformações

O sentido que se refaz no silêncio

Para quem já se perguntou “pra quê tudo isso?” — e, mesmo sem resposta, continuou.

Tem dias em que a pergunta pesa mais que o corpo.

Dias em que não há dor nítida, nem paz verdadeira —

só uma ausência de sentido

que ocupa tudo por dentro.

É difícil explicar.

Não é tristeza pura, nem falta de fé.

É só um cansaço fundo,

de quem já esperou demais,

já tentou demais,

e agora apenas respira devagar,

à espera de um sinal que talvez nem venha.

Mas ainda assim, você segue.

Não por certeza.

Nem por grandes esperanças.

Mas por alguma intuição antiga

que diz, mesmo em silêncio:

“continua.”

E então, um passo.

E outro.

E mais um —

sem pressa, sem brilho, sem plateia.

Apenas o necessário.

Porque o sentido, às vezes, não se encontra.

Ele renasce, suave,

na delicada decisão de não se abandonar.

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