Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Há dias que começam cinza e terminam em cor

Nem todo dia nasce bonito.

Há manhãs em que o céu parece esquecer de ser azul.

Em que a luz entra pela janela com preguiça,

e o silêncio da casa pesa mais que o travesseiro.

Mas até os dias mais cinzentos têm seu ritmo.

A chuva que começa fria às vezes termina em arco-íris.

O vento que sopra forte acaba abrindo espaço para o sol.

E o céu — mesmo nublado — não esquece como se pinta de cor.

É assim também com os sentimentos que moram quietos.

Tem dias em que a alma acorda sem brilho,

os pensamentos se arrastam,

e o mundo parece mais difícil de abraçar.

Mas a beleza não exige pressa.

Às vezes, ela aparece devagar:

num gesto gentil, num café quente,

ou num olhar que entende sem perguntar.

É por isso que nenhum dia cinza deve ser julgado antes do fim.

Alguns só precisam de tempo para se revelar.

E quando menos se espera,

a vida — silenciosa e sábia —

devolve cor ao que parecia apagado.

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