Nem todo dia nasce bonito.
Há manhãs em que o céu parece esquecer de ser azul.
Em que a luz entra pela janela com preguiça,
e o silêncio da casa pesa mais que o travesseiro.
Mas até os dias mais cinzentos têm seu ritmo.
A chuva que começa fria às vezes termina em arco-íris.
O vento que sopra forte acaba abrindo espaço para o sol.
E o céu — mesmo nublado — não esquece como se pinta de cor.
É assim também com os sentimentos que moram quietos.
Tem dias em que a alma acorda sem brilho,
os pensamentos se arrastam,
e o mundo parece mais difícil de abraçar.
Mas a beleza não exige pressa.
Às vezes, ela aparece devagar:
num gesto gentil, num café quente,
ou num olhar que entende sem perguntar.
É por isso que nenhum dia cinza deve ser julgado antes do fim.
Alguns só precisam de tempo para se revelar.
E quando menos se espera,
a vida — silenciosa e sábia —
devolve cor ao que parecia apagado.
