Há pessoas que não precisam de conselhos,
precisam de abrigo.
De alguém que fique perto mesmo sem saber o que dizer.
De uma companhia que não pressione,
mas sustente o silêncio.
Nem toda dor quer ser decifrada.
Algumas preferem existir quietas,
guardadas num canto discreto,
onde a presença do outro seja leve e não maior do que o espaço da dor.
Porque há momentos em que o excesso pesa.
Excesso de palavras, de perguntas, de explicações.
E tudo o que alguém precisa é de uma pausa.
Um intervalo onde possa apenas sentir, sem precisar justificar nada.
Ser presença é saber não ocupar.
É entender que estar junto nem sempre é agir, falar ou consertar.
Às vezes, é só permitir que o outro seja,
do jeito que for, no tempo que precisar.
Tem gente que transforma o ambiente só por não forçar nada.
Que sabe escutar sem interromper.
Que sabe esperar sem cobrar.
Que entende que a dor do outro não se resolve com pressa se atravessa com cuidado.
E isso é raro.
É precioso.
Porque a verdadeira empatia não invade, não invade.
Ela observa, respeita, sustenta.
Ela não entra onde não foi convidada mas permanece por perto,
até que o coração do outro esteja pronto para abrir a porta.
