Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

As flores que nascem no escuro

Nem toda flor precisa de sol para nascer.

Algumas rompem o chão em silêncio,

crescem no breu de lugares que ninguém visita,

desabrocham entre pedras e raízes retorcidas,

sem plateia, sem primavera, sem aviso.

São flores que ninguém esperava.

Delicadas por fora, indestrutíveis por dentro.

Carregam no caule a memória do que enfrentaram para existir.

Sabem da dor que é crescer sem aplauso,

da força que é florescer onde tudo dizia para morrer.

Elas não nasceram para serem vistas.

Mas nasceram mesmo assim.

Às vezes, também somos assim.

Crescendo em silêncios densos,

desabrochando onde parecia impossível,

nos agarrando às mínimas brechas de luz

como se o mundo coubesse inteiro ali.

E não, não é bonito como dizem.

Não é leve, nem mágico.

É exaustivo ser flor em terreno árido.

É solitário se manter de pé quando tudo ao redor desaba.

Mas ainda assim, algo em nós insiste.

Não por força, nem por heroísmo

mas porque dentro da dor também mora o instinto de vida.

Nascem flores no escuro.

E talvez você seja uma delas.

Sem saber, sem querer,

você resistiu.

E isso, por si só, já é um milagre.

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