Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Os grãos de areia

Há momentos em que tudo o que se pode fazer

é observar os grãos de areia caindo das mãos.

E não importa o quanto se tente segurar,

eles escorrem mesmo assim

devagar, mas inevitavelmente.

Talvez a vida esteja o tempo todo nos ensinando isso:

nem tudo o que cabe nas mãos

cabe no tempo.

Há relações que deslizam mesmo com amor,

há fases que se despedem mesmo com apego,

há sentimentos que partem mesmo com esperança.

E a gente tenta

fecha os punhos, prende o fôlego, força o instante.

Mas quanto mais força se faz,

mais escapa o que já não é para permanecer.

E um dia, cansados de resistir,

a gente entende:

que deixar ir não é desistir,

é confiar que o vento leva,

mas também devolve

às vezes em forma de paz,

às vezes em forma de novos começos.

Porque o que se vai, ensina.

O que fica, transforma.

E o que chega depois… talvez cure.

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