Há dores que não cabem em palavras.
Pesam por dentro, ocupam todos os cantos do silêncio,
e fazem o mundo parecer escuro — mesmo com o sol lá fora.
É difícil explicar.
Porque por fora tudo parece em ordem,
mas por dentro… algo desmoronou.
Há um tipo de dor que não se grita.
Só se sente.
Fica ali, entre o peito e a garganta, como um nó que não desata.
E quando ela cresce demais,
dá a falsa impressão de que não há saída,
de que não há mais porquê,
de que viver é peso demais para carregar sozinho(a).
Mas por mais fundo que seja o abismo,
há sempre uma fresta.
Às vezes minúscula, quase imperceptível
mas ainda assim, existe.
E essa fresta pode ser uma lembrança,
um olhar que acolhe,
uma palavra que entende,
um instante que diz:
“fica só mais um pouco, mesmo que não saiba como.”
Porque nenhuma dor, por mais intensa, é maior do que tudo que ainda pode florescer.
Mesmo que agora pareça impossível.
Mesmo que tudo em volta diga o contrário.
A alma sente demais — mas ela também tem a capacidade de se reconstruir,
devagar, aos poucos,
com tempo, cuidado, e esperança.
