As Dores da Alma

As dores da alma

Há dores que não cabem em palavras.

Pesam por dentro, ocupam todos os cantos do silêncio,

e fazem o mundo parecer escuro — mesmo com o sol lá fora.

É difícil explicar.

Porque por fora tudo parece em ordem,

mas por dentro… algo desmoronou.

Há um tipo de dor que não se grita.

Só se sente.

Fica ali, entre o peito e a garganta, como um nó que não desata.

E quando ela cresce demais,

dá a falsa impressão de que não há saída,

de que não há mais porquê,

de que viver é peso demais para carregar sozinho(a).

Mas por mais fundo que seja o abismo,

há sempre uma fresta.

Às vezes minúscula, quase imperceptível

mas ainda assim, existe.

E essa fresta pode ser uma lembrança,

um olhar que acolhe,

uma palavra que entende,

um instante que diz:

“fica só mais um pouco, mesmo que não saiba como.”

Porque nenhuma dor, por mais intensa, é maior do que tudo que ainda pode florescer.

Mesmo que agora pareça impossível.

Mesmo que tudo em volta diga o contrário.

A alma sente demais — mas ela também tem a capacidade de se reconstruir,

devagar, aos poucos,

com tempo, cuidado, e esperança.

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