E se eu simplesmente parar?
Se eu deixar a esperança em silêncio por um tempo?
Se eu deixar de insistir em caminhos que só machucam?
Se eu não quiser mais tentar hoje, e tudo bem?
Há dias em que continuar parece pesado demais.
O corpo presente, mas a alma exausta.
A mente tenta encontrar sentido onde tudo parece embaçado.
E a única vontade que resta é a de fechar os olhos
não pra dormir, mas pra descansar do mundo.
E se eu desistir?
Talvez não seja o fim do caminho,
mas só uma pausa para lembrar que não é preciso vencer todos os dias.
Talvez desistir não seja covardia,
mas um gesto de proteção:
chega, por hoje.
Ninguém fala sobre como dói continuar sem direção.
Sobre como o coração se quebra em silêncio,
tentando manter aparências, sorrisos, promessas.
Mas a verdade é que há batalhas que esgotam.
Há lutas internas que o mundo não vê.
E há momentos em que escolher parar
é o mais corajoso que se pode fazer.
E se eu desistir,
por favor, não julgue.
Às vezes, é só uma forma de sobreviver.
De não me perder completamente.
De não deixar que a pressa e as exigências do mundo me destruam por dentro.
E se eu desistir, que seja de carregar pesos que não me pertencem.
De tentar consertar o que não quer ser consertado.
De me moldar para caber em espaços que me apertam.
De correr atrás de quem nunca parou por mim.
Porque, às vezes, desistir de fora é só um jeito de voltar pra dentro.
De respirar, de reencontrar alguma parte esquecida de mim.
De lembrar que recomeçar também é um verbo suave,
e que todo fim contém uma semente de começo.
Então, se eu desistir, não tema.
Pode ser apenas o primeiro passo pra me escolher de novo.
