Há momentos em que a vida parece conspirar contra.
As perdas se acumulam.
Os planos falham.
As pessoas partem.
E o que antes fazia sentido, já não faz mais.
É comum que venha a revolta.
A sensação de que existe alguma injustiça,
algum destino enviesado,
alguma peça sendo pregada vez após vez.
E a mente grita:
“Será que isso é um castigo?”
“Será que a felicidade não era pra mim?”
Diante de tanta frustração, vem o cansaço.
E com ele, a desistência silenciosa.
Não a desistência de viver
mas de lutar contra o que parece maior do que qualquer força disponível.
O vazio toma espaço.
A direção se perde.
A sensação de estar à deriva domina.
Mas mesmo nesses instantes,
existe algo que permanece:
a consciência de que algo está doendo.
E sentir é um sinal.
Não de fraqueza
mas de que ainda há vida dentro do que parece ruína.
Nem tudo precisa fazer sentido agora.
Nem todo recomeço precisa ser imediato.
Às vezes, tudo o que se pode fazer
é se permitir existir dentro da confusão,
com menos rigidez,
com menos pressa,
com mais gentileza.
Porque sobreviver ao que parece castigo
já é, por si só,
um tipo silencioso de resistência.
