Talvez você esteja se perguntando se tudo isso é um castigo.
Se essa solidão que veio sem aviso,
se essas partidas que levaram as pessoas que você mais amava,
significam que há algo de errado com você.
Mas não.
Isso não é castigo.
É dor, sim.
É ausência.
É silêncio onde havia vida.
Mas não é punição.
O que você sente agora é um reflexo da imensidão do que já existiu.
Dos vínculos que marcaram,
das presenças que deixaram eco,
das histórias que ainda moram dentro.
A vida, às vezes, esvazia tudo ao redor
pra te trazer de volta pra um lugar esquecido: você.
Não como um fim,
mas como um chão.
Um abrigo interno.
Um lugar onde não há necessidade de provar nada, nem caber em ninguém.
Sim, está doendo.
Porque você é feito de afeto.
Porque sentir faz parte do que te torna tão humano, tão inteiro.
Mas o agora — por mais escuro que pareça —
não é o fim da estrada.
É só um trecho mais silencioso.
Um tempo de recolhimento, de pausa sagrada,
antes que a vida volte a se abrir.
Não apague a sua luz só porque os outros partiram.
O seu valor não diminui com a ausência.
Ele se revela,
quando mesmo só,
você escolhe continuar.
E isso, por si só,
já é uma forma de amor.
