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Ninguém pode atravessar a dor pelo outro

Por mais que se deseje.

Por mais amor que exista.

Por mais empatia que se tente alcançar.

A dor — assim como a morte —

é uma experiência intransferível.

Não há como entrar no corpo do outro.

Não há como sentir com a mesma intensidade.

Não há como trocar de lugar, mesmo que o coração implore por isso.

É difícil aceitar esse limite.

A vontade de proteger quem amamos do sofrimento é imensa.

Mas há dores que só o tempo, o corpo e a alma de quem sente

podem processar.

Tudo o que se pode fazer…

é ficar ao lado.

Em silêncio.

Com presença.

Com respeito ao espaço invisível que a dor cria.

Porque mesmo que não seja possível atravessar por dentro,

é possível não deixar sozinho.

É possível sustentar a presença,

mesmo sem saber o que dizer.

E, às vezes, isso

esse gesto calado de permanência

é o que mais cura.

2 comentários em “Ninguém pode atravessar a dor pelo outro”

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