Caminhos da Escuta Interior

Não estou perdido. Estou entre caminhos

Pode parecer confuso,

mas existe uma diferença sutil entre estar perdido

e estar em transição.

Estar perdido é não saber quem se é.

Estar entre caminhos é saber que já não se é mais o mesmo

mas ainda não ter chegado à nova forma de ser.

É o espaço entre uma pele que já não serve

e uma nova que ainda está sendo criada.

Nesse intervalo, é comum que nada encaixe.

Que os lugares não confortem.

Que os vínculos mudem de tom.

Que o espelho devolva um olhar estranho.

Que o tempo passe, mas a direção pareça ausente.

E mesmo assim…

há algo silencioso se formando.

Não é fim.

Não é começo.

É meio.

É o terreno onde as perguntas crescem antes das respostas.

Onde o silêncio vale mais que o plano.

Onde a alma se reorganiza ainda que pareça estagnada.

Não se trata de pressa.

Nem de controle.

É sobre aprender a permanecer no espaço entre

sem se definir,

sem se culpar,

sem se exigir clareza antes da hora.

Entre caminhos, tudo parece em aberto.

Mas é nesse espaço, tantas vezes desconfortável,

que algo novo se revela.

Não com ruído,

mas com profundidade.

E, um dia, o chão aparece de novo.

Mas ele já começa a nascer aqui

no passo incerto,

na pausa honesta,

na coragem de não se apressar em ser alguém.

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