Caminhos da Escuta Interior

Entre o que já não sou e o que ainda não me tornei

Existe um espaço silencioso entre quem se foi e quem ainda não chegou.

Um território interno onde nada é claro,

mas tudo está se movendo ainda que lentamente.

É o meio do caminho.

O intervalo entre um ciclo e outro.

Onde o que fazia sentido já não acolhe mais,

mas o novo ainda não tem forma, nem nome, nem chão.

Não é estagnação.

É gestação.

É desconforto fértil.

Pode parecer vazio,

mas também é onde brotam as primeiras sementes

de uma versão mais inteira,

mais consciente,

mais próxima da verdade.

Entre o que já não se é

e o que ainda não se tornou,

há um convite:

ficar presente.

Mesmo sem entender.

Mesmo sem controlar.

Algumas transformações não gritam.

Elas sussurram.

E pedem apenas que se respeite o tempo.

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