Há momentos na vida em que a gente não mora em lugar nenhum.
Só ocupa espaços provisórios,
respira entre malas abertas,
e aprende a se despedir antes mesmo de se apegar.
Morar em nenhum lugar não é só sobre endereço.
É sobre aquele sentimento de não pertencer.
De não saber onde fincar as raízes.
De sentir que está sempre de passagem,
mesmo quando tudo ao redor parece estável.
É estar aqui mas metade de si ainda está lá.
Ou em outro tempo.
Ou em outro sonho.
Mas também há beleza nisso.
Porque, aos poucos, você aprende a morar em si.
A fazer do próprio corpo um abrigo.
Da sua paz, um território.
Do silêncio, um lar.
E descobre que, mesmo sem um chão fixo,
há sempre um lugar onde você cabe:
na sua verdade.
Na sua história.
Na sua presença inteira.
Você não está perdido.
Está em movimento.
E um dia, sem pressa, o mundo te responde com pertença.
