Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Morar em nenhum lugar

Há momentos na vida em que a gente não mora em lugar nenhum.

Só ocupa espaços provisórios,

respira entre malas abertas,

e aprende a se despedir antes mesmo de se apegar.

Morar em nenhum lugar não é só sobre endereço.

É sobre aquele sentimento de não pertencer.

De não saber onde fincar as raízes.

De sentir que está sempre de passagem,

mesmo quando tudo ao redor parece estável.

É estar aqui mas metade de si ainda está lá.

Ou em outro tempo.

Ou em outro sonho.

Mas também há beleza nisso.

Porque, aos poucos, você aprende a morar em si.

A fazer do próprio corpo um abrigo.

Da sua paz, um território.

Do silêncio, um lar.

E descobre que, mesmo sem um chão fixo,

há sempre um lugar onde você cabe:

na sua verdade.

Na sua história.

Na sua presença inteira.

Você não está perdido.

Está em movimento.

E um dia, sem pressa, o mundo te responde com pertença.

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