Tem horas em que se fala demais.
Por impulso, por ansiedade, por carência.
Ou simplesmente por não saber lidar com o silêncio que grita por dentro.
Palavras escapam antes de serem pensadas.
Segredos se soltam.
Desabafos chegam a ouvidos que não sabem acolher.
Verdades saem cruas demais.
E depois… vem o eco do arrependimento.
Já aconteceu de confiar cedo demais.
Expor o que era íntimo.
Falar o que não era necessário.
Ou dizer o certo — mas da forma errada.
Mas ninguém acerta sempre.
Faz parte do processo aprender que nem tudo precisa ser dito,
que o silêncio também pode ser um gesto de sabedoria,
e que guardar algo para si não é falta de coragem
é cuidado.
No fim, todo mundo já foi traído pela própria língua.
Mas também é com ela que se aprende:
nem toda emoção precisa virar discurso.
Nem toda presença merece um segredo.
Nem toda vontade precisa virar fala.
Respirar antes de responder também é uma forma de cuidado.
Com o outro — e com a própria paz.
