Existem dores que não se explicam.
Só se sentem.
Como a de uma mãe que escuta o grito silencioso do filho…
e não consegue alcançá-lo.
Ela tenta.
Com palavras, com gestos, com amor.
Mas às vezes, nada chega.
Nada atravessa o muro invisível que a dor dele ergueu.
E ela sangra por dentro.
Porque vê.
Porque sente.
Porque faria tudo — se pudesse.
Mas há momentos em que o colo não basta.
Em que o amor não cura.
Em que nem toda entrega é suficiente para arrancar alguém do abismo.
E isso dilacera.
Porque ser mãe também é viver o limite.
É conhecer a impotência.
É segurar o próprio coração em pedaços…
enquanto reza para que o filho encontre um caminho.
Nem sempre é possível socorrer.
Nem sempre é possível salvar.
Mas há algo que sempre permanece:
a presença silenciosa de quem ama com verdade.
Mesmo sem conseguir chegar.
Mesmo sem poder fazer mais.
Porque às vezes, o que uma mãe pode fazer…
é continuar ali.
Mesmo do lado de fora da dor.
Com a alma estendida — esperando que o filho, um dia, a alcance de volta.
