Refúgios de quem sente demais

A exaustão de fingir que está tudo bem

Fingir que está tudo bem é uma das formas mais cruéis de solidão.
É sorrir com os olhos cheios de lágrimas por dentro.
É manter o mundo girando enquanto o chão já cedeu há tempos.

Essa exaustão silenciosa tem um preço.
Porque quando ninguém percebe a dor, ela se acumula.
E quem sente demais, muitas vezes, também aprendeu cedo a esconder demais.

Mas ninguém nasceu para ser forte o tempo todo.
Ninguém precisa provar que aguenta.
Ninguém precisa fingir o tempo inteiro para ser amado.

Há uma beleza corajosa em dizer: “eu não estou bem.”
Não é fraqueza. É verdade.
E a verdade liberta.

Que exista, dentro do caos, pelo menos um espaço onde a dor não precise ser disfarçada.
Que haja um refúgio onde ser real seja permitido.
Onde o cansaço possa existir sem culpa.

Talvez seja hora de parar de desaparecer em nome da aparência de força. E começar a existir, de verdade, com tudo o que sente. Fingir alivia os outros. Mas machuca quem sente.

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