(uma poesia que escrevi para meus filhos)
Talvez vocês não levem tão a sério o que vou dizer agora.
Mas, ainda assim, eu peço: escutem com o coração aberto.
A Bíblia diz algo que ecoa em mim de forma muito real:
“Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem e te vá bem na Terra.”
Durante muito tempo, achei que era só uma frase antiga.
Mas a vida me ensinou que isso é mais do que um mandamento.
É uma lei espiritual.
Um princípio silencioso, mas firme — e, quando ignorado, cobra o seu preço.
Cedo ou tarde.
Eu oro por vocês, meus filhos, todos os dias.
Só Deus — e o homem que caminha ao meu lado, com falhas tão humanas quanto as minhas — sabe o quanto já doeu.
Já me senti pequena. Invisível.
Já pensei em ir embora.
Não por falta de amor, mas por excesso de dor.
Sim, eu errei.
Houve decisões impulsivas, atitudes confusas.
Momentos em que agi com egoísmo ou imaturidade — porque eu também estava aprendendo.
E Deus sabe. E trata.
Tenho plena consciência disso. E tenho vivido as consequências.
Mesmo assim, nas minhas orações, peço misericórdia.
Peço a Deus que vocês não precisem prestar contas da dor que, por vezes, me causaram.
Mas a verdade é que há coisas que nem mesmo o amor consegue impedir.
O Universo devolve o que a gente entrega — e nem sempre com suavidade.
Foi só depois de muitas quedas e reflexões que decidi mudar minha postura com os meus pais.
Passei a tratá-los com todo o respeito que mereciam, mesmo com tudo o que nos separava.
Fui eu quem ajudou a aproximar meu pai de volta dos meus irmãos.
Porque entendi — com o coração amadurecido — que existe um elo invisível entre o que vivemos e a forma como tratamos quem nos deu a vida.
Não é sobre religião.
É sobre verdade.
Não é sobre medo.
É sobre consciência.
Respeito não é submissão.
É lucidez.
É cuidado com a própria história.
É romper o ciclo e não repetir o que um dia nos feriu.
E sim…
Muitas vezes, paz, saúde, clareza e até caminhos abertos têm relação com esse princípio.
Se eu puder deixar uma coisa pra vocês hoje, é isso:
a forma como vocês escolhem lidar com isso pode mudar o rumo das suas vidas.
Quem me dera ter compreendido isso antes.
Mas eu precisei viver para entender.
Ciclos se repetem por gerações porque, muitas vezes, os filhos se recusam a enxergar o que nunca foi dito com palavras,
mas estava lá — no silêncio, nas atitudes, no tempo perdido.
Que bom que, um dia, eu entendi.
E é por isso que agora escrevo pra vocês:
Para que entendam também — antes que a vida ensine do jeito mais difícil.
Porque há situações que tenho assistido de perto… e pelas quais tenho orado para que jamais aconteçam com vocês.
