Nem sempre é o fim que fere mais — mas a forma como ele chega.
Às vezes, é a vida que decide por nós.
Distâncias, fronteiras, ciclos que se encerram sem permissão.
E, de repente, o que era presença constante se torna silêncio.
Nesses momentos, não se trata de apagar a dor.
Ela é real, legítima, necessária.
Mas há um convite sutil embutido em todo sofrimento:
o de aprender a atravessar, sem se perder.
Há algo além da dor.
Existe uma sabedoria que só se revela nos instantes de pausa, na espera involuntária, no vazio que insiste em ecoar.
A cura raramente é rápida — mas ela vem.
Gota a gota.
Dia após dia.
Com o tempo, a ausência pode se transformar em saudade leve.
A saudade em memória viva.
E a memória em força — não para esquecer, mas para seguir.
Cuidar de si em tempos assim não é luxo, nem fraqueza
é sobrevivência emocional.
É a coragem de seguir mesmo sem todas as respostas,
mesmo sem garantias de reencontro,
com o coração ainda aberto para o que for possível,
com gentileza por tudo o que foi vivido.
Porque às vezes, continuar é o maior ato de amor.
Por si.
Pelo outro.
Pela história que existiu — e que, de alguma forma, continua existindo.
E mesmo que o reencontro não esteja certo,
o equilíbrio é possível.
A serenidade também.
A travessia é parte do caminho.
E cada passo, por mais pequeno que pareça,
é semente de futuro.

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