Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Quando tudo foge das mãos

Há dias em que tudo parece escapar.

O tempo, as respostas, o equilíbrio.

Coisas pequenas que se acumulam.

Coisas grandes que se impõem.

E, de repente, o controle — ou a ilusão dele — se desfaz.

É como estar no centro de um redemoinho.

A mente tenta segurar as pontas,

o corpo se tensiona,

e o coração…

fica em estado de alerta, como se o mundo inteiro dependesse de um gesto certo.

Mas por mais que se tente, há momentos em que nada parece suficiente.

E o desconforto cresce.

A frustração invade.

A vontade é de pausar tudo e voltar quando for seguro de novo.

Mas a vida… não pausa.

Nesses momentos, o que mais machuca não é o que acontece fora

é o que se sente por dentro:

a impotência, o medo, a sensação de estar falhando só por não conseguir controlar o incontrolável.

E talvez aí esteja o ponto mais profundo:

nem tudo foi feito para ser contido.

Nem tudo se alinha aos nossos planos.

Algumas coisas precisam apenas ser atravessadas — com calma,

com presença,

com a coragem de aceitar que há força também em não saber.

Quando tudo parece fugir das mãos,

o que ainda pode ser cuidado é o dentro.

O respiro.

A intenção.

A forma como se escolhe continuar, mesmo sem garantias.

Porque há dias em que manter a calma

é mais valioso do que ter respostas.

E confiar no tempo… é a forma mais silenciosa de recomeçar.

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