Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

O que se sente quando se erra

Errar é um lugar estranho.

Não é só o tropeço — é o depois.

É o silêncio que vem carregado,

as perguntas que ninguém faz, mas que gritam dentro.

“Por que eu não vi antes?”

“Como deixei isso acontecer?”

E o coração responde com peso.

Com esse jeito sutil de se culpar até em silêncio.

Há quem se recolha, como quem pede desculpas ao mundo.

Quem se esconde atrás de justificativas.

Quem se cobra como se fosse possível voltar no tempo.

Mas o tempo… não volta.

E o erro… não apaga.

O que se pode fazer, então?

Talvez seja respirar mais devagar.

Aceitar que errar também é parte do caminho.

Que quem sente, quem tenta, quem vive de verdade — vai errar.

E isso não faz de ninguém menos digno de amor ou respeito.

Com ternura, o erro ensina.

Com presença, ele transforma.

E com alma desperta,

ele se torna semente de algo novo:

um olhar mais honesto,

um gesto mais cuidadoso,

um passo mais consciente.

Nem sempre dá para corrigir o que foi feito.

Mas sempre é possível ser mais inteiro no que vem depois.

E às vezes, é no exato ponto onde se erra

que começa, silenciosamente,

a crescer a sabedoria.

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