Há palavras que a gente guarda
por medo da reação,
por falta de tempo,
por não saber como dizer
sem ferir, sem perder, sem expor demais.
Mas o que não é dito… não desaparece.
Fica ali.
No canto da garganta.
No silêncio do olhar.
No jeito contido de quem queria se aproximar
mas já não sabe mais como.
Às vezes, o que machuca não é o que foi falado.
É o que nunca foi.
Um “sinto muito” que nunca chegou.
Um “preciso de você” que ficou preso no orgulho.
Um “você me magoou” que virou distância.
Um “eu te amo” adiado até virar tarde demais.
As palavras não ditas não gritam.
Mas ficam.
Ficam entre gestos frios e sorrisos pela metade.
Entre mensagens nunca enviadas
e ligações que ficaram para depois.
Ficam como uma presença invisível,
rondando as memórias,
esperando por um instante de coragem.
Porque, no fundo, elas não querem ferir.
Só querem existir.
Ser ouvidas.
Fechar os espaços abertos entre duas pessoas.
Nem sempre com uma grande conversa,
às vezes com uma frase simples,
um olhar sincero,
ou até um silêncio que diz:
“eu ainda me importo”.
