Entre o Sentir e o Dizer

Quando insistem demais

Nem todo “não” vem com voz firme.

Às vezes, ele se esconde no desvio do olhar,

no adiamento de uma resposta,

ou naquele cansaço que ninguém vê, mas que pesa o corpo inteiro.

Há pessoas que não sabem dizer que algo incomoda.

Que não conseguem negar um convite, recusar uma ajuda, desfazer um vínculo

mesmo quando tudo dentro delas grita que já passou do tempo.

Não por fraqueza. Mas por sensibilidade.

O medo de parecer rude, ingrato ou distante

faz com que muitos permaneçam em situações desconfortáveis,

cedendo mais do que podem, sorrindo quando não querem,

aceitando o que, no fundo, já não cabe mais.

E há quem insista.

Que continue pedindo, cobrando, convidando

sem perceber (ou ignorando) os sinais sutis de exaustão do outro.

A presença passa a ser exigida.

O afeto, testado.

A liberdade, condicionada.

Mas é preciso lembrar:

o amor não força, o carinho não oprime, a amizade não pressiona.

O respeito floresce quando há espaço.

Quando se aceita que o outro tem limites.

Que pode dizer “não”. Que pode mudar. Que pode simplesmente não estar disponível.

É bonito quando alguém consegue colocar limites com clareza.

Mas é ainda mais bonito quando o outro compreende sem que seja preciso gritar.

Porque todo “sim” que vem da culpa, e não da vontade,

não é presença — é esforço.

E ninguém deveria precisar se sacrificar para manter um laço.

Quando o afeto é real, ele compreende. Ele acolhe.

E sabe permanecer — mesmo quando precisa dar espaço.

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