Tem noites em que o silêncio pesa mais do que o dia inteiro.
Você tenta se distrair, mas tudo escorrega de volta pra dentro.
As luzes da casa parecem mais frias,
as memórias chegam sem serem chamadas,
e o corpo — mesmo cansado — não encontra descanso.
Não é solidão por falta de gente.
É a solidão de estar com tudo…
menos com paz.
Às vezes, estar sozinho consigo mesmo é como encarar um espelho sem reflexo.
Só perguntas.
Só ausências.
Só esse abismo pequeno que ninguém vê mas que você sente.
E não adianta apressar o sentir.
Nem tentar resolver com respostas prontas o que veio lá do fundo.
Algumas noites são mesmo assim:
vazias, cruas, sem atalhos.
Mas ainda assim… são passagem.
Mesmo que doam, elas limpam.
Mesmo sem respostas, elas ensinam.
Mesmo em silêncio, anunciam que algo dentro de você segue vivo.
E está tentando encontrar um caminho.
