Sentido

Sentir-se sozinho em meio à multidão

Há uma solidão que não grita.

Ela caminha em silêncio entre rostos sorridentes,

cumprimenta com leveza,

responde “tudo bem”

mas por dentro, sente-se invisível.

Não é a ausência de gente.

É a ausência de conexão.

De um olhar que realmente veja,

de uma escuta que não apresse,

de um espaço onde a alma possa respirar inteira.

Às vezes, estamos cercados de vozes,

e ainda assim… falta diálogo.

Falta afeto que não seja automático.

Falta presença que não seja apenas física.

Sentir-se sozinho em meio à multidão

é como gritar embaixo d’água:

o som não chega,

o ar falta,

e ninguém percebe.

Mas há uma delicadeza em reconhecer essa dor.

Ela revela o que importa:

a verdade dos vínculos,

a autenticidade dos encontros,

a coragem de buscar laços que não sejam só superfície.

Nem sempre vamos caber em todos os lugares.

E tudo bem.

A alma também precisa de respiros

onde possa ser acolhida — e não apenas tolerada.

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