Às vezes, a gente demora para perceber.
Demora porque quer acreditar, porque insiste em ver luz onde só existe sombra disfarçada.
Mas chega um momento em que o corpo cansa,
e a alma começa a sussurrar mais alto:
“isso está te apagando.”
Estar com alguém que invalida quem você é,
que trata o afeto como obrigação,
e enxerga sua presença como posse —
não é amor, é erosão.
E não adianta florear o que fere:
quando você precisa se calar para caber,
quando começa a esconder partes de si para evitar conflito,
quando sente que o seu sentir é sempre demais ou de menos,
é porque já está se perdendo.
Pode até parecer que está tudo sob controle,
mas por dentro… algo em você vai desmoronando devagar.
E o nome disso é: abandono de si.
A integridade é o que te mantém inteiro —
não só por fora, mas no espaço mais íntimo onde vivem suas verdades.
E ninguém que realmente te ame
vai pedir que você sacrifique isso.
Você não foi feito(a) para ser moldado à força,
nem para viver ao lado de alguém que relativiza seu valor.
A vida já exige muito.
O amor, quando é abrigo,
não deveria ser mais uma forma de exaustão.
