Caminhos da Escuta Interior

A alma que caminha no amor não se cansa

Nem todo cansaço é físico.

Às vezes, é a alma que desacelera — não por exaustão,

mas porque perdeu o sentido no meio do caminho.

Mas há um outro tipo de andar.

Mais leve.

Mais silencioso.

Mais verdadeiro.

É quando se caminha com amor.

Não aquele amor barulhento, cheio de promessas e pressa.

Mas o amor que escolhe.

O que permanece.

O que acolhe o tempo do outro — e o próprio tempo também.

Caminhar com amor é respeitar os próprios passos.

É não se atropelar para chegar onde não se quer estar.

É não ferir a si mesmo para caber no passo de ninguém.

Quando a alma caminha assim,

ela até se cansa por fora —

mas não por dentro.

Porque o amor, quando é semente verdadeira,

vira estrada.

Vira descanso.

Vira direção.

E mesmo nos dias em que tudo parece lento demais,

o amor ainda segura a mão da esperança

e sussurra baixinho:

“Continua. Isso também é caminho.”

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