Há silêncios que pesam mais do que qualquer ausência.
Não se explicam.
Apenas chegam — como uma sombra lenta que encobre o que antes parecia claro.
Nem sempre é possível nomear o que falta.
E por vezes, o que falta nem está fora.
Está num espaço interno que se rompeu aos poucos,
no tempo em que tudo parecia inteiro demais para ser questionado.
É comum procurar abrigo nos olhos dos outros,
esperar por palavras que tragam chão,
por mãos que devolvam fôlego.
Mas há dores que não se dividem.
Há travessias que não se fazem em companhia.
Algumas noites pedem recolhimento.
Pausas.
Não para fugir, mas para lembrar.
Que há uma luz que não depende de acender-se por fora.
Ela nasce, silenciosamente, no íntimo de quem escolhe continuar —
mesmo sem saber o caminho todo.
E essa luz…
não grita,
não exige,
não promete salvação.
Apenas permanece.
Firme.
Mesmo pequena.
Mesmo quando tudo ao redor parece escuro demais.
