O perdão, às vezes, chega
Mas a confiança… nem sempre volta.
Não por falta de amor.
Mas porque há coisas que, uma vez rompidas,
não encontram mais o mesmo espaço para existir.
A confiança não faz alarde.
Ela nasce devagar,
se fortalece em gestos simples,
e se sustenta na consistência do cuidado.
Mas quando se quebra —
não é como um laço que se desamarra e pode ser refeito.
É mais como um cristal:
basta um impacto para que se estilhace por inteiro.
E por mais que se tente juntar os pedaços,
algo se perdeu no susto da queda.
O brilho pode até permanecer,
mas a pureza… já não é a mesma.
Confiar de novo é possível.
Mas nunca será igual.
Porque quem já foi ferido,
volta com outro tipo de silêncio no peito —
um que observa mais, espera menos
e se recolhe cedo, quando sente perigo.
Perdoar é deixar o peso no chão.
Confiar de novo…
é decidir se ainda vale caminhar por ali.
E nem sempre vale.
Nem sempre é leve.
Nem sempre é possível.
Porque há estradas que, depois da queda,
ficam cheias de cacos invisíveis —
e a gente aprende, com o tempo,
a proteger melhor os próprios pés.
