Brechas Emocionais

Nem sempre o mal chega gritando

Nem sempre o mal chega gritando.

Às vezes, ele se acomoda nas pequenas permissões.

Na palavra dita sem pensar.

Na raiva guardada por tempo demais.

No silêncio que carrega desprezo.

Na falta de cuidado com o que se repete.

Não é preciso chamar o mal pelo nome —

basta deixar a porta entreaberta.

Porque o que atravessa a alma sem vigilância,

também pode atravessar os laços.

A paz.

A lucidez.

Por isso, “vigiar” não é viver com medo.

É viver com consciência.

É perceber quando estamos nos afastando de tudo aquilo que nos mantém inteiros:

a verdade dita com calma,

a firmeza com gentileza,

a pausa antes do impulso.

Nem tudo que entra, entra à força.

Muitas vezes, somos nós que — pela pressa ou descuido —

abrimos a porta.

E depois não sabemos por onde começou o vazio.

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