Às vezes, o amor não parte de uma vez.
Ele apenas se desfaz —
devagar, em silêncio,
quando a admiração deixa de existir.
Não é a ausência de beijos.
Nem a falta de gestos grandiosos.
É o fim de algo mais sutil:
a vontade de olhar com respeito,
de escutar com curiosidade,
de se encantar com o simples no outro.
Quando a admiração se perde,
o amor começa a desbotar,
como uma fotografia deixada tempo demais ao sol.
E ainda que haja afeto,
a presença vira peso.
A convivência, desgaste.
E o toque… já não toca mais.
Não é falta de amor —
é falta de sustento.
Porque o amor precisa de base.
E uma delas é essa:
a capacidade de continuar vendo valor,
mesmo depois de conhecer todas as falhas.
Sem admiração, o vínculo vai se esvaziando.
Não por um grande erro,
mas por pequenas ausências:
o descuido, o desrespeito, a repetição do que fere.
Amor se alimenta de muita coisa —
mas sem admiração, ele não floresce.
Pode até ficar.
Mas não vive.
