Relações Que Adoecem e a Coragem de Se Escolher

Quando o corpo acorda, mas a alma não vem

Há dias em que a alma não sabe onde ficou.

O corpo levanta, cumpre rotinas, responde.

Mas por dentro, algo está suspenso —

como se não houvesse mais chão onde pisar.

Não é só tristeza.

É como se a identidade tivesse sido deslocada.

Como se a própria presença parecesse estranha.

Depois de um episódio de abuso emocional,

espera-se, muitas vezes, que tudo volte ao normal.

Que quem foi ferido(a) aja como se nada tivesse acontecido.

Que o afeto continue,

que a doçura permaneça,

que o cuidado se mantenha —

mesmo depois de palavras duras, desprezo ou gritos.

Mas o estrago não desaparece com o amanhecer.

Ele se instala nos detalhes:

no silêncio mais longo,

na ausência de vontade,

na dificuldade de olhar nos olhos.

A dor que não é reconhecida se repete.

E o silêncio imposto vira ausência por dentro.

Por isso, é preciso lembrar:

existem marcas que não se veem,

mas que mudam tudo.

E existem limites que, uma vez ultrapassados,

não permitem retorno

por mais gentil que pareça o dia seguinte.

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