Ressignificar os traumas da infância

Nem sempre foi falta de amor, às vezes, era falta de consciência

Alguns traumas da infância doem ainda mais porque vieram de quem deveria proteger.

De quem dizia amar.

De quem, aos olhos do mundo, “fez tudo o que pôde”.

E talvez tenha feito.

Mas o que foi possível naquele tempo —

com as dores não curadas, com os silêncios herdados, com os modelos repetidos —

ainda assim te feriu.

Isso não apaga o amor que talvez estivesse lá.

Mas também não anula o impacto da ausência, da rigidez, da frieza, da invalidação.

Nem sempre foi falta de amor.

Às vezes, foi falta de consciência emocional.

Falta de repertório.

Falta de escuta.

Falta de maturidade para lidar com a delicadeza de uma criança.

E tudo isso pode ter deixado marcas profundas em você.

Ressignificar é permitir-se ver isso com clareza.

É validar sua dor sem precisar pintar o passado de cor-de-rosa.

É entender que o amor, quando não sabe se expressar, também pode machucar.

Mas hoje você sabe mais.

Hoje você pode fazer diferente.

Pode quebrar ciclos.

Pode ser a consciência que um dia faltou.

Isso não exige que você culpe —

mas também não te obriga a esquecer.

A maturidade emocional nasce quando você reconhece:

o que me feriu veio de alguém ferido.

Mas a responsabilidade de me curar… agora é minha.

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