O que não teve conserto pode ter compreensão.
Existe uma ideia equivocada de que perdoar é esquecer.
Que superar é apagar.
Que curar é nunca mais lembrar.
Mas há feridas que não cicatrizam em silêncio.
Elas querem ser olhadas.
Nomeadas.
Compreendidas.
Ressignificar não é fingir que não doeu.
É entender o que aconteceu — e dar a si mesmo uma nova chance de seguir,
sem que aquilo continue ditando cada passo.
Nem tudo terá um pedido de desculpas.
Nem todo trauma virá com reparação.
Mas mesmo sem justiça emocional externa,
você pode encontrar paz dentro de si.
Ressignificar é escolher um novo lugar para aquela dor ocupar.
É deixá-la existir, sem deixar que ela te paralise.
É dizer: isso aconteceu comigo, mas não é tudo o que eu sou.
A vida não apaga o passado.
Mas pode abrir espaço para que ele não grite mais tão alto dentro de você.
E esse é um dos maiores atos de liberdade que alguém pode viver:
acolher a própria história sem mais ser refém dela.
