Ressignificar os traumas da infância

O adulto que você é carrega a criança que não pôde ser

Quando a infância não pôde ser leve e virou sobrevida dentro do peito.

Muitos adultos vivem hoje tentando consertar o que faltou quando eram pequenos.

Tentam ser perfeitos para não desapontar.

Controlam tudo para não reviver o caos.

Silenciam emoções porque, um dia, foram ensinados que sentir era demais.

Por trás de comportamentos “maduros” demais,

às vezes mora uma criança que não pôde brincar, errar, ser cuidada.

Que precisou crescer antes da hora.

Que aprendeu a se virar sozinha quando tudo ao redor era ausência.

Você se lembra da primeira vez em que engoliu o choro para não incomodar?

Ou da vez que quis colo — e ouviu: “você é forte, aguenta”?

Essas memórias silenciosas continuam vivas.

E, sem perceber, você repete com você o que um dia fizeram com você.

Mas hoje você pode reescrever.

Pode permitir-se sentir.

Pode dizer à sua criança:

“Agora você tem com quem contar. Agora sou eu quem cuida.”

Você não precisa mais se provar o tempo todo.

Nem ser forte o tempo inteiro.

Nem esconder o medo, o cansaço, a carência.

Há uma leveza que te espera

não porque o passado muda,

mas porque você aprende a não deixar que ele defina o que vem depois.

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