Família

Libertar-se do que não começou em nós

Há padrões que atravessam gerações como se fossem herança silenciosa. Vozes que não nasceram em nós, mas nos habitam com força — e às vezes, com dor. Há quem aprenda cedo que é mais seguro se calar do que enfrentar o peso de um conflito. Que dizer “sim” agrada, mesmo quando tudo dentro grita “não”. Que doar-se além do que pode é quase uma obrigação. E que talvez nunca haja o suficiente — de tempo, de amor, de espaço para ser.

Esses gestos automáticos, quase invisíveis, nem sempre são nossos. São ecos. Fragmentos de histórias vividas por outros antes de nós. São promessas não ditas, pactos de sobrevivência, modos de existir num mundo onde sentir era perigoso demais.

Mas chega um momento em que algo desperta. Um instante em que a alma percebe que pode escolher diferente. E mesmo com medo, escolhe se expressar. Mesmo com o coração acelerado, escolhe dizer “não”. Mesmo ouvindo o sussurro da escassez, escolhe confiar e oferecer.

Não é sobre força constante. É sobre consciência. É sobre não continuar a cadeia. Sobre deixar que em nós ela se desfaça. Libertar-se é um movimento diário, delicado e corajoso. É um ato de amor por si — e por todas as vozes que não puderam ser ouvidas antes.

Hoje, esse ciclo termina.

Em quem desperta, o fluxo recomeça.

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