Nem toda partida vem com porta batida.
Algumas vão embora devagar, em silêncio,
mas deixam um vazio que grita por dentro.
Há quem vá sem dizer adeus.
Sem explicar.
Sem justificar.
Mas deixa pistas no olhar, na ausência repentina, no jeito de evitar o encontro.
E é aí que mora o grito:
não nas palavras ditas,
mas no que foi deixado para trás sem som,
sem cuidado,
sem conclusão.
Ir embora em silêncio é, muitas vezes, a forma mais alta de dizer:
“eu já fui há muito tempo, só não sabiam”.
E para quem fica,
resta o eco.
A dúvida.
O peso de não saber o que fez ou deixou de fazer.
Mas o silêncio de uma despedida também ensina.
Ele mostra o que doeu.
Ele convida a fechar a ferida,
mesmo sem resposta.
Nem todo silêncio é covardia.
Às vezes, é só o jeito que alguém encontrou para sobreviver.
E quem escuta com o coração aprende:
alguns silêncios não precisam ser compreendidos.
Precisam apenas ser aceitos — e deixados ir.
