Ressignificar os traumas da infância

A criança que aprendeu a se calar

O silêncio que virou sobrevivência

Há crianças que aprendem cedo a se calar.

Porque falar era perigoso.

Porque sentir era demais.

Porque não havia quem escutasse — ou, pior, havia quem julgasse.

Elas aprendem a engolir o choro.

A esconder o que sentem.

A disfarçar a dor com sorrisos ou comportamentos “exemplares”.

Aprendem que, para serem aceitas, precisam ser leves. Invisíveis. Boas.

Aprendem que mostrar tristeza é ser “dramática”,

que mostrar raiva é ser “desobediente”,

e que mostrar medo é ser “fraca”.

E assim, vão se moldando ao que esperam delas.

Vão silenciando o que mais precisava ser acolhido.

Até que, um dia, esquecem como era falar de verdade.

Mas mesmo caladas, essas crianças cresceram.

E hoje são adultos que têm dificuldade de expressar o que sentem.

Que engolem palavras para evitar conflitos.

Que sufocam lágrimas quando tudo o que precisavam era colo.

Curar essa parte é ensinar à sua criança interior que agora ela pode falar.

Que há espaço para o que ela sente.

Que sua voz tem valor — e merece ser ouvida com carinho.

Porque o silêncio que um dia salvou,

hoje pode estar te impedindo de viver por inteiro.

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