Família

Quando o silêncio ensina

Há momentos em que a escuta se rompe.

As palavras não encontram mais espaço, os vínculos parecem se dissolver no ar

e até a vontade de partilhar se retrai, ferida.

Nessas horas, tudo o que era dito com afeto pode ser lido com julgamento.

A intenção se perde.

O coração se fecha.

E fica a sensação de que já não há onde pousar o que se sente.

Fica o vazio de quem sempre teve tanto para oferecer — mas já não sabe se pode.

É então que nasce outro caminho.

Nem voz, nem ouvinte.

Apenas um espaço silencioso, íntimo, onde tudo pode existir sem ser interrompido:

a escrita.

Escrever vira refúgio.

Não como fuga, mas como permanência.

Um lugar onde as emoções não precisam ser justificadas. Onde o que não coube no outro encontra abrigo em palavras.

Talvez seja assim que a alma segue:

quando não pode mais ser dita, ela se escreve.

E continua a tocar — mesmo em silêncio.

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