Há momentos em que a escuta se rompe.
As palavras não encontram mais espaço, os vínculos parecem se dissolver no ar
e até a vontade de partilhar se retrai, ferida.
Nessas horas, tudo o que era dito com afeto pode ser lido com julgamento.
A intenção se perde.
O coração se fecha.
E fica a sensação de que já não há onde pousar o que se sente.
Fica o vazio de quem sempre teve tanto para oferecer — mas já não sabe se pode.
É então que nasce outro caminho.
Nem voz, nem ouvinte.
Apenas um espaço silencioso, íntimo, onde tudo pode existir sem ser interrompido:
a escrita.
Escrever vira refúgio.
Não como fuga, mas como permanência.
Um lugar onde as emoções não precisam ser justificadas. Onde o que não coube no outro encontra abrigo em palavras.
Talvez seja assim que a alma segue:
quando não pode mais ser dita, ela se escreve.
E continua a tocar — mesmo em silêncio.

Bonito e muito assertivo esse espaço. Parabéns.
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Gratidão pelo carinho, Miriam. Que bom que as palavras encontraram morada em você. 🌷
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