Família

Quando o amor fica sem resposta

Há amores que a gente entrega por inteiro.

Sem medida, sem pausa, sem se poupar.

É amor que renuncia, que protege, que gira em torno.

Amor que faz do outro o centro do mundo

e do silêncio dele, o próprio fim do universo.

Mas há momentos em que mesmo esse amor

é rejeitado, calado, cortado sem explicação.

E tudo o que era afeto vira mágoa nos olhos de quem antes nos chamava de abrigo.

Ser chamada de dor por quem foi nosso amor…

É um abismo difícil de descrever.

É quando a alma sangra sem ferida visível.

Quando o coração se parte com palavras que não merecia ouvir.

Quando o que resta é a ausência, o bloqueio, o eco de um nome que não responde mais.

E então, a pergunta que fica:

como se continua depois disso?

Talvez não haja resposta imediata.

Talvez só o tempo consiga tocar nessa ferida.

Mas se há algo que permanece, mesmo em meio à dor,

é a verdade do que foi sentido.

O amor verdadeiro não se desfaz

ainda que o outro se vá.

E enquanto houver lágrimas, há também o sinal de que o amor existiu.

E isso, por mais devastador que seja…

é também sagrado.

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